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segunda-feira, 17 de março de 2014

Reforma - "Salas Cachimbo": dicas | Renovation - "Pipe Livings": tips



Frequentemente construídas na segunda metade do século passado, as “salas cachimbo” eram aquelas onde a janela ficava disposta em um pequeno jardim de inverno, por um modismo da época – para conservar plantas delicadas, tocar piano, ter uma área  reclusa de leitura.  Logo se percebeu que este “charme” de ter uma área aconchegante próxima as janelas traria um alto preço: baixa luminosidade, deficiências na circulação de vento e sensação de clausura aos moradores. Décadas depois, o forte retorno da obsessão por varandas na arquitetura carioca retirou de cena de vez este tipo de sala.

Com o boom da valorização imobiliária de Copacabana e do Rio como um todo, e o envelhecimento natural/falecimento de uma geração inteira de moradores pioneiros de Copacabana - entre seus 70 a 90 anos - o bairro mais famoso do Brasil vem atravessando uma modernização e mudança do perfil dos moradores. No caso do apartamento que apresentamos a seguir, o principal ideal do projeto era trazer luz a “sala cachimbo” através da reforma da estante embutida existente: Sugestão de espelho ao fundo para dar a sensação de que existiria algum ambiente atrás do recorte. Também será feito laqueamento das madeiras da mesma e criação de 2 portas de correr com vidro e treliças para guardar vidros e cristais de família.

Outro ponto foi o espelho posicionado ao lado da janela, para dar impressão de tamanho dobrado a mesma. De resto, o projeto buscou aliar elementos antigos existente dos clientes contrastados com artigos contemporâneos, deixando com ar leve e atual. Vejam o estudo preliminar de como pretendemos que fique:

 

 
        "Sala cachimbo" - afinamento próximo a janela e o móvel embutido que vai ter espelhos para ampliar e o espaço.
 "Pipe living" - straightening nearby the window and the built-in shelter that'll receive mirrors to enlarge the area.

 
Sala  recorrente em Copacabana e seu formato, razão pela qual foi apelidada de cachimbo
Often seen in Copacabana, the pipe living room receives this name due to it's shape.
                           
                               
          

          
               Mais luz através de espelhos e madeiras claras. Artigos contemporâneos para contrastar com objetos antigos
              More light through mirrors and lighter woods. Contemporany objects to constrast with old relics              






Often built at last century’s second half ,  the “pipe living rooms”  were those where the window used to be set in a small part of the room called “winter’s garden”, as it used to be fashion to keep delicate plants, play piano or even read in those areas. Soon people realized that this “charm” – have a cozy area nearby the window – could represent some damages to the place’s environment: low luminosity, Wind circulation deficiency and the closing up sensation. Decades later, the obsession for balconies at Rio de Janeiro’s  came strongly back again, taking out of scene these kind of living room at all.

As a result of the increasing prices of Copacabana and Rio at all, and the natural aging/passing of the first generation of Copacabana habitants - between their 70 to 90 years old - the most famous neighborhood  of Brasil is passing through a whole process of modernization and changing of the stereotype of it's habitants. In the specific case of this apartment that we show next, the larger goal of the project was bring light to the "pipe living" by renovating a built-in shelter that was already placed there: It was suggested to put a mirror at it's back to pretend that there was more room behind of it. It also'd have it's wood painted on paint pump technique and 2 new doors built in sliding wood structure with glasses and brises to stock up family's crystals and glasses.

Another thing was to place a mirror just beside de window, to make up that it has the double of the size. 
In the end the project wanted to connect old existing family's relics contrasted with contemporary objects, letting it with a fresh and updated look. Take a look on the preliminary study to see what we expect it to end up as.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Recordações + Vista | Recordation + View

O Brasileiro é miscigenado por natureza, e não disfarça o orgulho disso. Com origem européia, africana, indígena... Recebemos ainda a influência direta de tantos que vem nos visitar e trazem consigo hábitos e costumes que – principalmente nós cariocas – amamos absorver. Equipamentos à la americana, itens de design à italiana, hábitos alimentares à francesa, adoração pela natureza como os índios... Estes somos nós!
Existe, porém uma questão importante de ser lembrada: A identidade. Toda e qualquer apropriação gratuita e excessiva de uma cultura que não seja a nossa, pode acabar virando algo ‘pastiche’ (copiado). Nos dias de hoje se tornou mais raro entrar em um apartamento em frente a praia, de um edifício modernista, e se deparar com pesados tecidos e artigos barrocos encobrindo e ofuscando as vistas da nossa cidade, felizmente, uma vez que são incompatíveis com o nosso clima. Por outro lado lembranças não devem ser apagadas em busca de lares de “revista”, pois estes muitas vezes acabam por ficar frios e impessoais.

A Arquitetura e o Design de Interiores não devem ser encarados como uma ciência exata, uma vez que a solução ideal para cada cliente só é descoberta após inúmeras variáveis  como – espaço físico, variáveis externas (insolação, vizinhança, visadas), história de vida, hábitos, gostos e orçamento.  
O apartamento que mostro a seguir foi um desafio para mim – uma cobertura na Lagoa Rodrigo de Freitas, no centro da Zona Sul do Rio de Janeiro,  cheia de recordações, que através de leves mudanças como tecidos e cores, ganhou ares contemporâneos, deixando o principal se destacar: A vista. Sofás reaproveitados com capas de tecidos claros e paredes cinza ajudam a absorver o colorido de tapetes orientais, prataria e porcelana europeia, além de quadros de pintores com paisagens tipicamente carioca. Confiram como está ficando! 

Foto 1: Vista Lagoa (view of the lake) /
 Foto 2: Vista Cristo Redentor (view Christ Redeemer)
/ Foto 3: Piscina (pool
Churrasqueira com greenwall modular com mosaico das praias cariocas /
Barbecue place with mosaic wall of Rio's beaches theme
Living com sofás neutros e paredes cinzas: Destaque para o acervo de ítens de família/
Living with sober sofas and grey walls: Spotlighting the family's objects archive 
 Pintura popular brasileira da sala & mosaico da área externa -
 feito pela artista plástica Thais Niskier /
Living's painting of brazilian popular art & mosaic of the outside area -
made by the artist Thais Niskier


Brazilian are mixed-raced by nature, and don't hide up being proud of it. With European, African, Indian origin... We also love to absolve habits of those who come to visit us - mostly cariocas (Rio citizens). Equipment as Americans, Design items as Italians, eating habits as Frenches, love for nature so as the indians... That's how me are!
But there's something that needs to be remembered: The identity. All excessive and not needed appropriation of a culture that isn't ours can become something 'pastiche' (copied). Nowdays it's really rare to see a front beach apartment in a modernist building with heavy fabrics and baroque ornaments covering up our beautiful natural city's view. Hopefully once this king of decoration isn't compatible to our weather. But, remembrances shouldn't be erased, because if they are the place can look cold and with no identity.   

The Architecture and Interior Design shouldn't be faced as a precise science, once the ideal solution for each client is just found after considering - the space, external elements (insolation, neighborhood, views), lifestyle, habits, taste and budget.
The apartment that I'll show next was a big challenge to me - a penthouse at the Rodrigo de Freita's Lagoon, in the center of South Zone of Rio de Janeiro, full of remembrances, where through soft changes of fabrics and colors gained contemporary look, allowing the main element appear properly: The view. Reused sofas with new brighter covers and grey walls helped to absolve the colors of oriental carpets, european silvery and porcelain, and also many brazilian paintings with Rio de Janeiro's themes. Take a look on how things are going!

Sim, Rio ‘est Art Decó’ também! | Yes, Rio ‘est Art Decó’ too!

Nascido na Europa, o movimento Art Decó surgi nas primeiras décadas do século XX, como uma resposta literalmente gráfica a uma sociedade em vias de modernização e industrialização onde os ornamentos praticamente artesanais e orgânicos do Art Noveau e a riqueza de detalhes do Ecletismo (onde o Neoclassicismo, Neorromântico , Neogótico, Neobarroco... Eram misturados, com objetivo final de demonstrar a imponência pelo exagero ), já não tinham mais espaço. Com o avanço da tecnologia da construção- civil, encontrou-se na geometrização das formas proposta pelo Art Decó uma solução para demonstrar imponência sem perder o ar de moderno, com um funcionalismo também muito maior. Podemos ver estes conceitos aplicados em boa parte dos arranha-céus americanos da primeira metade do século XX, onde a geometrização esta muito associada ao escalonamento no topo (“escadinha”), devido também a Leis vigentes por lá na época que obrigavam o afunilamento de prédios muito altos para circulação de ventos e entrada de luz.

Tendo sido e continuando a ser objeto de desprezo de muitos críticos de arquitetura, verdade seja dita, os ritmos geométricos do Art Decó podem não ser os mais “puristas”, mas são sinônimos de elegância através do tempo.
O que pouco se nota é a proximidade que este estilo tem com os cariocas. Este post tem a iniciativa comentar um pouco e aguçar nosso olhar pelas ruas cariocas. Copacabana poderia ser considerada a princesinha do Art Decó. De forma mais discreta do que no exterior, o estilo é visto por aqui em portarias de edifícios e sutis afunilamentos de alguns prédios residências nos andares mais altos. As linhas geometrizadas do Cristo Rendentor também seguem o estilo, talvez por isso que esta estátua consegue cativar inclusive os ateus, adornando o Corcovado e nossa cidade por sua sobriedade e beleza. "Oui, nous sommes art decó aussi"!

                                                                                    (all rights reserved @arqnisk)
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Come to light in Europe, the Art Decó movement started in the first decades of XX century, as a grafic answer to a society in a process of modernization, industrialization where crafts ornaments in organic shapes such as the ones seeing in Art Noveau, and all the details of Eclecticism (where Neoclassic, Romanticism, Necrotic, Neobaroque... Where mixed, with the main purpose of showing-off by being over),weren't anymore suitable. With new technologies to build-up the geometrical shapes proposed by Art Deco became a solution to show power without losing the modern appearance, also being extremely functional. At the american skyscrapers of the first half of the XX century, we can see all this concepts applied, where geometries is associated to the stagger (“stair look”) also because of the period's Laws which forced the bottleneck of the extremely high building, to allow wind circulation and light entrance. 

Even not being well seeing by some of architecture critics, the geometric rhythms of Art Decó can not be the purest”, but are and will always be associated to elegance through time.  
What isn't always noticed is how near this style is close to cariocas (Rio citizens). Copacabana could be considered the little princess of Art Decó. More discrete than what can be find abroad, the style can be seeing down here at building's main entrance and really soft bottleneck of some residential buildings. The geometric lines of Christ Redeemer also follow the style being maybe the reason why it captives everyone, christian or not, adorning our city and the buck with sobriety and beauty. "Oui, nous sommes Art Decó aussi"!